terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A Prece de um Exú

Sou Exu, senhor meu pai, permite que assim te chame, pois na realidade, tu é, como és meu criador, formaste-me da poeira ástrica, mas como tudo que provém de ti, sou real e eterno.
Permite senhor, que eu possa servi-te nas mais humildes e desprezíveis tarefas criadas pelos teus humanos filhos. Os homens me tratam de anjo decaído, de povo traidor, de rei das trevas, de gênio do mal e de tudo o mais em que encontram palavras para exprimir o seu desprezo por mim; no entanto, nem suspeitam que nada mais sou do que o reflexo deles mesmos. Não reclamo, não me queixo porque esta é a tua vontade.
Sou escorraçado, sou condenado a habitar as profundezas escuras da terra e trafegar pela sendas tortuosas da provação.
Sou invocado pela inconsciência dos homens a prejudicar seus semelhantes, sou usado como instrumento para aniquilar aqueles que são odiados, movido pela covardia e maldade humanas sem contudo poder negar-me ou recorrer.
Pelo pensamento dos inconscientes, sou arrastado a exercer a descrença, a confusão, e a ignomínia, pois esta é a condição que tu me impuseste. Não reclamo, senhor, mas fico triste por ver os teus filhos que criaste a tua imagem e semelhança, serem envolvidos pelo turbilhão de iniquidades que eles mesmos criam, e eu, por tua lei inflexível, delas
tenho que participar.
No entanto senhor, na minha infinita pequenez e miséria, como me sinto grande e feliz quando encontro algum coração, um oásis de amor e sou solicitado a ajudar na prestação de uma caridade.
Aceito sem queixumes, senhor, a lei que, na tua infinita sabedoria e justiça, me impuseste, a de execuro de consciência, mas lamento e sofro mais porque os homens até hoje, não conseguiram compreender-me.
Peço-te, oh pai infinito, que lhes perdoe.
Peço-te, não por mim, pois sei que tenho que completar o ciclo da minha provação, mas por eles, os teus humanos filhos.
Perdo-os, e torna-os bons porque somente através da bondade do seu coração, poderei sentir a vibração do teu amor e a graça do teu perdão. 

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