quarta-feira, 2 de março de 2016

Patuá

"QUEM NÃO PODE COM MANDINGA, NÃO CARREGA PATUÁ"

E quem nunca ouviu essa frase?

Nacionalmente popular, carrega consigo um grande significado histórico, porém, muitos a pronunciam sem saber o significado de dois dos seus "elementos" principais. A maioria das pessoas associam "Mandinga" a feitiço, magia ou algo negativo e "Patuá" a um amuleto. Vejamos o conceito dos dois conhecendo toda a história por trás dessas palavras....

Os Mandingas eram um grupo africano que por sua proximidade com os árabes acabou se tornando um grupo que tem por base a lei dos muçulmanos.

Com o aumento do tráfico negreiro, muitos mandingas vieram para as Américas, porém, como eram muçulmanos, muitos desses escravos sabiam ler e escrever em árabe, além de conhecer a matemática, muitas vezes, melhor do que seus senhores

Por esse grande conhecimento, os mandingas foram rotulados pelos brancos como feiticeiros forçando cada vez mais um afastamento dos negros da sociedade. A partir de então, mandinga adquiriu sinônimo de feitiço.

Na parte do trabalho escravo, muitos desses negros ocupavam funções de escrita dos livros dos senhores ou se tornavam feitores enquanto os outros trabalhavam em serviços braçais. Ao contrário do que se parece, os negros que praticavam o culto dos Orixás eram vistos como infiéis pelos negros muçulmanos e os senhores alimentavam essa rivalidade.

Com o passar do tempo, os negros começaram a se aproximar e a respeitar suas diferenças e igualdades. Eles se uniram em uma grande corrente e aprenderam, juntos, a respeitar sua cor sem admitir falta de respeito ou mentira em nome da religião, fosse ela baseada nos Orixás ou no Alcorão.

Mesmo tendo aprendido a se respeitar e a conviver com as diferenças, suas fugas se davam de forma diferente. O negro africano de raíz era temido pela sua força física e disposição para lutas armadas até a morte, já o negro mandingueiro, tendo sido rotulado de feiticeiro, além de se preparar para lutas sem armas (Seus princípios eram ligados a sua base religiosa, ao Alcorão, e a cultura muçulmana), pendurava um PATUÁ no pescoço (trouxinha amarrada no pescoço com dizeres em alcorão para dar segurança e proteção ao negro que usasse).

Assim, caso fossem abordados por outro negro mandingueiro e esse negro não soubesse falar em árabe, seria descarregado sobre ele toda a fúria das tribos mandingueiras podendo levar a morte, pois utilizar a fé dos negros de uma forma errada e mentirosa era tido como uma grande ofensa.

Foi a partir de então que surgiu a famosa expressão "Quem não pode com mandinga, não carrega patuá".

O PATUÁ 

  
O termo patuá tem origem indigena e traz em seu significado etimologico uma espécie de cesta e por extensão o do invólocro em que se guarda alguma coisa com motivo religioso.

Para os negros africanos, desde aquela época, o Patuá sempre foi considerado um objeto consagrado que traz em si o axé, a força mágica do Orixá, do Santo Católico ou Guia de Luz, a quem ele é consagrado.

Hoje, representa um poderoso amuleto repleto de bons fluídos e proteção. Com a formação dos primeiros Templos de Umbanda e a possibilidade de uma proximidade com o divino e o espiritual, as pessoas que buscavam por proteção começaram a encontrar nesses objetos sagrados, um apoio.

Por serem feitos para uma determinada pessoa, com um propósito, os patuás devem ser utilizados somente pela pessoa a qual foi destinado, não devendo ser utilizado, manipulado ou emprestado a outras pessoas. 

Deve ser feito somente por pessoas preparadas e que saiba seus fundamentos, Guias ou Sacerdotes, para que tenha algum valor energético e espiritual.

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