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Cambono

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"... é aquela pessoa que o médium literalmente pode e deve confiar de olhos fechados, porque a partir do momento que ele incorpora, ele não é mais autônomo dentro do terreiro, ele não tem mais uma ação efetiva justamente porque está em transe..." Pai Rodrigo Queiroz. Quando iniciamos nossa caminhada na religião e passamos a integrar a corrente de um terreiro, quase sempre começamos desempenhando essa função, que é essencial ao desenvolvimento dos trabalhos. Então, se você ainda não passou pela experiência de cambonar, provavelmente, um dia, irá passar. Se você ainda não sabe de quem e do que estamos falando, mas é bem observador, com toda certeza já notou que nos terreiros, ao longo dos atendimentos, há um médium que está sempre posicionado ao longo das entidades. Esse médium é o cambono e ele tem tanta importância para a Umbanda, como a ekedi tem para o Candomblé. "Ele representa a confiança dos médiuns, das entidades e da religião. É o elo entre o umban...

Fios de Conta (Guia)

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Ah, nossas guias... Para cada uma delas, uma história a se contar. Uma verdadeira conquista, que deve ser guardada e cuidada com muito amor, acho que todos devem concordar. Então, para o início dessa matéria, gostaria de te fazer uma pergunta: "Qual foi seu primeiro fio na Umbanda? Qual sua história?" O meu? Foi de Oxalá. Foi dado por uma entidade muito especial para mim, pela qual tenho muito carinho e respeito: S. Tupinambá. E eu sei que naquele momento, enquanto aquele fio era entregue, ele já sabia por muitos dos caminhos onde iria passar até chegar sob seus cuidados, onde estou até hoje. Quando me perguntam como cheguei na Umbanda, eu digo que a Umbanda me escolheu, que a Umbanda foi me buscar quando foi chegada a hora, e uso esse fio até hoje como representação disso: o que ele já sabia e eu nem imaginava. Eu era Sua filha, pertencia a Sua aldeia e Juntos trabalharíamos.  "Acima de qualquer fio, seja ele bonito, cheio de pedras ou trançado,...

Contra Egum

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A palavra "Egum/Egun" vem do yorubá e significa desencarnado, espírito ou alma.  Por ser uma definição ampla, pode referir-se a espíritos sem luz, mas brandos e calmos, ou espíritos sem luz, ruins, zombeteiros e confusos, que muitas vezes desconhecem sua própria condição. O contra egum é um utilitário trançado a partir de palha da costa,  que deve ser colocado preferencialmente no braço   para impedir a aproximação de  espíritos desencarnados que tenham energias nocivas, sendo utilizado, muitas vezes, após obrigações dos filhos de santo e durante todo seu preceito. Esse mesmo utilitário que tem como símbolo a proteção, pode e deve ser utilizado em ambientes onde o padrão energético e vibratório são propícios a esses espíritos como, por exemplo, cemitérios, hospitais, presídios e até mesmo hospícios, ou então em datas e períodos onde essas energias podem estar em maiores quantidades vagando pelas ruas, por exemplo, na Quaresma e no Dia de Finados. ...

Bater Cabeça

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O ato de bater cabeça é, com toda certeza, uma das coisas mais lindas que podemos ver na ritualística umbandista. É um momento onde nós, médiuns,  nos despimos de todo e qualquer sentimento negativo, toda e qualquer vaidade, para nos conectar com a espiritualidade que nos cerca. Apesar de presente na sociedade desde os princípios dos tempos, o ato de bater cabeça teve sua simbologia alterada com o passar dos anos, sendo incorporada pela  Umbanda como um sinal de respeito, entrega e devoção. São vários os momentos em que nos utilizamos de tal ato dentro da religião, entre uma delas está o momento em que,  antes da abertura das giras, reservamos um espaço de tempo nos afazeres do terreiro para nos posicionarmos  perante o Congá, direcionando nossos pensamentos exclusivamente às forças dos Guias e Orixás. Nesse instante, o médium  posiona-se de bruços, com as mãos no mesmo nível que a cabeça, adentrando em uma prece mental única, feita com o coraç...

A Gira

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Quero começar este texto fazendo uma confissão: A Umbanda entrou na minha vida como quem entra em um avião: com passagem comprada e destino definido, nos deixando com aquele frio na barriga aguardando a decolagem. Sim, foi assim. Eu não esperava estar na Umbanda até que a Umbanda esteve em mim, e aqui estou até hoje. Quis falar disso, porque antes de me tornar umbandista por completo, não imaginava que os trabalhos se iniciavam muito antes da chegada ao terreiro e que contemplam muito mais do que aqueles que chegam pela primeira vez à Umbanda, são capazes de ver, que eu fui capaz de ver. Com o tempo, fui entendendo que o antes é tão importante quanto o durante e que um completa o outro. Os dias que intermedeiam as giras são como quaisquer outros, exceto pela condição de que parecem demorar muito mais a passar, mas fique tranquilo, com o tempo você se acostuma, acostuma tanto que pouco antes do despertador tocar, na maioria das vezes, você já terá levantado. Sim, é engraça...